
Quem observa de fora pode imaginar que a Prefeitura do Recife perdeu o rumo. Em apenas cinco meses de gestão, o prefeito João da Costa (PT) teve uma agenda marcada por conflitos e desgastes políticos. Houve queda de braço com os servidores, dificuldade de ordenamento do comércio ambulante de Boa Viagem, paralisação das obras do Parque Dona Lindu e, por último, problemas na coleta de lixo da cidade, noticiou o Diário de Pernambuco. O prefeito diz que não, mas para imprimir sua marca à gestão e adotar uma nova forma de gerenciamento, João da Costa vem fazendo modificações profundas no governo em relação à administração passada. Em entrevista ao Diário de Pernambuco o prefeito respondeu algumas dessas questões. Leia, logo abaixo, alguns trechos da entrevista.O senhor fez algumas alterações na Prefeitura do Recife ao assumir a gestão. Por exemplo: nomeou o secretário Roberto Arrais, que tem um perfil mais "light" que o do seu antecessor, Múcio Magalhães, para atuar como secretário do governo. Foi para dar uma cara nova à gestão? A gente vem falando desde o ano passado que nossa gestão é de continuidade, mas é um novo governo também. É um novo momento. Na verdade, não é uma necessidade de ter uma marca pessoal, mas de ter um projeto político de renovação e também uma nova dinâmica. Na questão da secretaria de governo, não se trata do perfil pessoal do secretário. Pensamos numa secretaria de relações institucionais, que fizesse uma articulação com os demais poderes, uma articulação para fora da sociedade. A secretaria de governo na gestão de João Paulo, com Múcio,tinha uma função mais para dentro e (uma relação) exclusiva com a Câmara de Vereadores. Quando avaliamos, pensamos numa secretaria que articulasse com o governo, o Tribunal de Justiça, o Ministério Público, o Tribunal de Contas, com as organizações da sociedade que pensam a cidade... Enfim, uma secretaria com articulação mais ampla. No processo de reestruturação da PCR, a pasta exercida por Lygia Falcão foi desmembrada e a secretária teve seus poderes reduzidos. É uma forma de o senhor demarcar a gestão, já que Lygia era vista como o braço forte de João Paulo?As pessoas não diziam que eu também era? Então João Paulo tinha dois. O ajuste não é para demarcar, mas porque há uma necessidade. Fizemos uma reforma no governo passado para um momento político, um momento específico. Lygia tinha uma função, eu também. A gente tinha um núcleo de governo. Tinha um peso diferente. Tanto eu quanto Lygia e Múcio (Magalhães). Quanto à função de Lygia, não é questão de ter menos ou mais poder. Ela continua com o mesmo poder. Agora, sobre o exercício das funções, eu estava convencido de que a gente precisava ter uma estrutura mais articulada de planejamento e gestão. Que foque resultados, metas, e comece a estruturar linhas de convênios. Precisamos avançar no processo de profissionalização da gestão para buscar mais eficiência. Isso é um processo ainda de reflexão. Estamos aprofundando algumas questões. Em cinco meses de mandato, em que o senhor conseguiu avançar na parte administrativa e política?A gente começou a avançar numa consciência de estruturação de um sistema de custeio mais racional. O próprio momento exige isso. Economizamos R$ 11 milhões em quatro meses. Isso foi fruto do comitê de redução de custeio que lançamos em janeiro. Isso é a construção de uma política de cultura, de um órgão que pode se tornar permanente ou não. Está dentro dessa nova concepção de planejamento e gestão. Começamos a articular melhor a questão dos convênios. Mozart (Sales) está à frente de uma coordenadoria só de convênios para estruturar a captação de recursos. Para a Prefeitura, pobre como a do Recife, é fundamental você prestar conta, fazer acompanhamento, não devolver dinheiro e prospectar oportunidades. Minha ida a Brasília foi fruto de articulações prévias e de inscrição de projetos nos ministérios. Quando vamos analisar, os resultados são diferentes. Nós viabilizamos um financiamento da comunidade de Pilar de R$ 40 milhões. Há quatro anos a gente vinha brigando, mas liberamos isso em quatro meses. Há outros financiamentos que estão sendo desdobrados, articulados. O fato de o Recife ser sede da Copa vai gerar oportunidades de investimentos. Você precisa ter carteira de investimentos. Hoje temos uma carteira de projetos elaborados de R$ 500 milhões. Isso precisa ser estruturado. É um processo. Não são coisas que são vendidas, as pessoas não estão vendo. É um trabalho para dentro, que é importante para a cidade e para a gestão. Por que o senhor não tomou uma atitude enérgica com a empresa responsável pela coleta do lixo?Quando você compra um eletrodoméstico que apresentou defeito, o que você faz? Você vai reclamar, acionar a defesa do consumidor, entrar com processo nos juizados de Pequenas Causas. A pessoa não chega no gerente da loja e diz que vai levar outro produto de todo jeito para casa e pronto. Ninguém faz isso. Como é que querem que eu faça? É só pegar a empresa, trocar e jogar fora? Quem é que tem 60 caminhões compactores novos paraentrar amanhã aqui? Quem é que demite 3 mil trabalhadores e contrata novamente? Para a oposição é fácil falar. Mas ninguém que tem uma televisão quebrada em casa chega na loja, pega outra e leva. Tem de ter todo um processo e prazos. Há regras de direito e contratos. Você tem uma casa e seu inquilino mora há 15 anos pagando aluguel. Há seis meses ele começa a atrasar. Você pega imediatamente aquele inquilino e bota para fora? Então a Qualix funcionava bem?É claro. É só pegar as avaliações dos serviços da prefeitura. Ela foi primeiro lugar em 15 anos trabalhando no Recife. Desde Joaquim Francisco. Agora eu não posso chegar para a empresa que está aqui há 15 anos e dizer "sai e vem outra". Não é assim. Você multa, chama, conversa. A gente está fazendo os mutirões. Eu tenho certeza de que, explicando isso para a população, ela entende. Porque a relação da vida real é assim. Escrito por
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